Páscoa de bicicleta em Texel

Este fim-de-semana de Páscoa, fomos dois dias pela primeira vez a Texel. Texel é a primeira e maior ilha Holandesa do arquipélago do mar de Wadden. Apesar de se escrever com “x“, deve ser lida como se fosse “Tessel“ (eu estou sempre a dar esse erro e a ser gozada)

Como o tempo prometia ser bom para o fim-de-semana, decidimos fazer da bicicleta o nosso meio de transporte. Os Holandeses cultivam uma ideia idílica das ilhas do Norte: natureza, longas viagens de bicicleta, paisagem protegida e vilas pitorescas. Todas as conversas com Holandeses apontam para a absoluta necessidade de as visitar de bicicleta.

Se podíamos ter alugado um carro? Podíamos, até porque Texel é a única ilha onde é permitido haver carros, mas pensei que não ia ser a mesma coisa. E na verdade, seria uma experiência completamente diferente e (parcialmente) mais relaxada.

Texel é uma ilha enorme e completamente exposta ao vento do mar do Norte. Mas como posso enfatizar o poder do vento do mar do Norte?! Não se trata de uma aragem, nem de um bafejo ou de uma lufada de ar fresco. Brisa também não é nome forte o suficiente para o descrever. Este vento apesar de ter apenas uma direcção, não se pode caracterizar também como uma corrente de ar fresquinho. Este é na verdade uma ventania – uma golfada de inércia, aos que buscam qualquer forma de movimento na sua direcção. São rajadas imobilizantes, pelo menos para quem se desloca de Sul para Norte da ilha, a pé ou de bicicleta. Obviamente que a história é outra quando nos deslocamos de Norte para Sul com o sopro do vento nas nossas costas a ajudar-nos a pedalar. Mas isso só aconteceu no segundo dia da nossa viagem!

O primeiro dia em Texel foi uma luta contra os elementos. Chegámos à ilha por volta da 13h no ferry de Den Helder. Alugámos a bicicleta num armazém mesmo perto do porto, onde os barcos fazem a ligação entre a ilha e o “continente“. O ferry é enorme e está preparado para receber um grande número de ciclistas e automobilistas. A travessia não é cara para simples passageiros, apenas 2.5 euros por uma viagem de ida e volta entre Den Helder.

Mal nos montámos nas bicicletas percebemos que o melhor da nossa viagem seria voltar a pedalar para Sul. Com muito esforço fizemos num dia 2/3 da ilha em bicicleta.

Começámos por visitar o posto de turismo em Den Burg, a principal cidade da ilha. Depois, enchemo-nos de coragem e pedalámos até ao centro Ecomare, onde existe um centro de recuperação de animais da região. Muitos dos animais que vivem no Ecomare estão demasiado doentes para voltarem à vida selvagem. Outros estão em reabilitação ou em quarentena até voltarem a ser devolvidos à natureza das ilhas de Wadden. São as focas bébés que ganham a simpatia da maioria dos visitantes.

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Depois da curta visita ao Ecomare, eram horas de tentar descobrir o pequenino hotel que tínhamos reservado para passar a noite. Depois de vento, vento, vento e mais vento, eventualmente encontrámos o hotel, que apesar de pequenino e simples, nos pareceu um palácio de conforto e descanso.

E sim, com o nascer do Sol do dia seguinte, tudo mudou e pedalar foi uma alegria. Começámos pela vila de Cocksdorp que é oficicalmente o ponto mais a Norte onde estive em toda a minha vida. A pequena cidade é muito bonita e fica mesmo perto do grande dique que protege a ilha do mar.

Cocksdorp visto do dique

Cocksdorp visto do dique

O ponto mais a Norte onde estive até hoje e o Mar do Norte

O ponto mais a Norte onde estive até hoje e o Mar do Norte

As paisagens pareciam mais bonitas do que no dia anterior: as praias, as dunas, os campos de tulipas e narcisos e as muitas ovelhinhas de Texel pareciam mais especiais. Foi tudo bonito e maravilhoso. A beleza de se pedalar nas ilhas do Norte desvendou-se em toda a sua plenitude.

Tulipas

Tulipas

Dunas do Parque Natural

Dunas do Parque Natural

Campos e muitas ovelhas de Texel

Campos e muitas ovelhas de Texel

Ovelhas pequeninas e fofinhas

Ovelhas pequeninas e fofinhas

Depois de uma manhã a pedalar alegremente, parámos a meio da ilha para o nosso almoço de Domingo de Páscoa onde provámos a especialidade local: ovelha de Texel! A gastronomia de Texel é muito boa. Bom queijo, boa cerveja e boa carne. A cerveja de Texel é particularmente popular e apreciada.

Almoço de Páscoa com cerveja de Texel

Almoço de Páscoa com cerveja de Texel

Se voltaria a pedalar em Texel ou numa das outras ilhas Holandesas? Sim, mas teria que planear a viagem melhor para não enfrentar durante tanto tempo o vento. Pedalar menos tempo ou por trilhos mais abrigados. Quem sabe alugar uma bicicleta com motor para as alturas de vento. Mas fazendo um balanço, o fim-de-semana foi óptimo!

A minha bicicleta em Texel

A minha bicicleta em Texel

E ainda consegui trazer uma recordação perfeita de Texel: um protector de assento de bicicleta em forma de ovelha!

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2 comentários

  1. Que delícia de post! Até eu fiquei com vontade de pedalar em Texel :) Esses campos de Túlipas são simplesmente geniais e mágios, algo que está na minha bucket list :)

  2. […] filme conta a estória de um gangster de Amsterdam, que se vê obrigado a refugiar-se na ilha de Texel durante uns dias, enquanto lida com uns novos criminosos que o ameaçam. A ilha no Inverno tem um […]

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