Uma curta visita ao Rotterdam Film Festival

Os fins-de-semana sabem sempre a pouco. Entre limpar a casa, ir às compras da semana, fazer os trabalhos de casa de Holandês, tentar descansar quanto-baste e preparar a semana seguinte….puff! dou por mim e já é segunda-feira outra vez! Foi por isso que quando decidimos ir conhecer o famoso Rotterdam Film Festival, tivemos que tomar a decisão que iríamos ver apenas 2 sessões e que teríamos que voltar a Utrecht relativamente cedo.

Assim ficaram obviamente por ver muitos, mas mesmo muitos, dos bons filmes que estão em exibição. E nesta curta visita, a cidade de Rotterdam também ficou neglicenciada: mal saímos da estação de Blaak fomos a correr para o primeiro cinema, mal saímos do primeiro cinema, fomos a correr para o segundo, e mal saímos do segundo fomos novamente em direçcão a Utrecht. Estão até dois documentários Portugueses, um de Gonçalo Tocha e Joaquim Pinto e a ficção “A vida invisível”, de Vitor Gonçalves, em exibição no Festival, mas tivemos que nos limitar ao que o tempo permitia: uma sessão de curtas em competição e a uma longa metragem, com direito a apresentação pelo realizador e tudo.

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Mas sendo o tempo pouco, deu para perceber que a cidade está mesmo festa com este festival! E que bonita achei Rotterdam! Cheia de tigres (a mascote do festival) que se esgueirarem um pouco por todo o lado: em bandeiras, em cartazes e até num grande prédio com toda a sua fachada em neons dedicada a promover o festival. E pelos vários espaços do festival, lá se viam muitas pessoas também apressadas entre sessões, jornalistas a terminar os seus trabalhos e os próprios realizadores, produtores e actores a fazer networking e a falar sobre as suas obras.

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Já na sua 43.a edição, este festival é um dos maiores da Europa e garante às jovens promessas do cinema independente um palco forte para mostrarem o seu trabalho.

Numa das curtas que fomos ver, contava o realizador do filme que a cidade de Taiwan lhe tinha encomendado um filme que mostrasse e promovesse certas ruas e áreas da cidade. Este realizor, ao investigar essas ruas, descobriu histórias de imigrantes de outras áreas do Sudoeste Asiático que ali viviam e trabalhavam, e como era para eles difícil voltar um dia para casa devido às grandes dívidas que contraiem ao comprar o visto de entrada no país. Isso inspirou-o a fazer um filme diferente do inicial e a explorar o desejo de uma rapariga imigrante de voltar ao seu país. Obviamente que quando mostrou o filme à Câmara Municipal, o resultado final não foi inteiramente apreciado.

O que salvou o trabalho do realizador foi o facto da curta ter sido nomeada pelo Rotterdam Film Festival, e assim, de besta aos olhos das autoridades municipais passou a bestial. No fundo, é um pequeno exemplo da importância do Festival a nível internacional e do impacto positivo que pode ter no trabalho de um jovem realizador.

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Aprende-se sempre um bocadinho quando se vai a este tipo de eventos especialmente porque se ouve a viva voz, os realizadores a apresentarem os seus filmes, e o que os motivou a apostar num ou noutro argumento. Na longa metragem que fomos ver “Ping Pong Summer” o realizador explicava que este filme era um projecto com o qual sonhava desde os 17 anos! Quase 20 e tal anos depois, estava ali diante de um plateia imensa para o apresentar. Não desisitir de uma ideia mesmo 20 anos depois é algo admirável.

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São pequenos momentos e histórias que acabam por fazer valer a pena ir a estes festivais, mesmo tendo pouco tempo, e sendo sempre um pouco a correr. Esgueirar-nos sobre as verdadeiras histórias de vida que estão por detrás da projecção do grande ecrã é sempre enriquecedor, seja em Lisboa, Porto ou Rotterdam. E Rotterdam ficou a merecer uma nova visita mais atempada que talvez planeie para alturas mais quentes!

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One comment

  1. Incrivel, sempre a par da ultima novidade cultural. Acho que não falta muito para me tornar tua stalker… :)

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