Segredos da Resistência anti-nazi em Utrecht

Este fim-de-semana celebra-se o 70.º aniversário da associação “Utrechts Monumenten Fond“, que para assinalar a data está a fazer um convite aos cidadãos de Utrecht para visitarem 3 casas históricas da cidade em regime open day. O Utrechts Monumenten Fond é uma associação que tem como missão restaurar e dar nova vida aos edifícios históricos da cidade.

Convite do Utrechts Monumenten Fonds

Convite do Utrechts Monumenten Fonds

Passei pelo número 20 da rua Brigittenstraat, uma das 3 casas abertas hoje. Alta e com janelas amplas, mas que vista de fora não difere dos restantes edifícios da rua. O faz esta casa interessante e especial, é o que esta escondeu durante a Segunda Guerra Mundial. Quando decidi ir vê-la, devo confessar que não sabia muito bem para o que ia, mas apercebi-me rapidamente que no caso desta casa, se as paredes falassem teriam certamente muito para nos contar!

O número 20

O número 20

O número 20 Brigittenstraat ficou conhecido por “O Mosteiro”, um nome (não tão) inocente utilizado para camuflar o que lá se passava. Na realidade em 1944, passando a bonita entrada, a casa escondia o trabalho da Resistência anti-Nazi Holandesa. Era ali que se desenvolvia o trabalho do Departamento Central de Inteligência, que tinha como missão recolher informação sobre os Alemães e sobre traidores.

As operações no Mosteiro (Foto do Arquivo de Utrecht)

As operações no Mosteiro
(Foto do Arquivo de Utrecht)

Assim foi montada uma central telefónica secreta, com 5 linhas telefónicas que serviu até ao final da guerra. Para completar o disfarce, trabalhavam para a resistência 5 estafetas femininas que se vestiam de enfermeiras. O cenário de ilusão estava criado para que os Alemães pensassem que no Mosteiro se tratavam os pobres e doentes da guerra.
Quanto aos restantes heróis que lá trabalhavam, incluindo o líder da resistência em Utrecht – Henk Das, quando se entrava no Mosteiro, nunca mais se podia sair, e o Mosteiro tornou-se a residência de quem lá trabalhava. A partir do número 20, comunicava-se com as equipas da Resistência em Amsterdam, Den Haag e Amersfoort.

Duas estafetas e o líder da Resistência em Utrecht (Foto do Arquivo de Utrecht)

Duas estafetas e o líder da Resistência em Utrecht
(Foto do Arquivo de Utrecht)

No final da guerra os Alemães atacaram o edifício. O líder da resistência Henk Das conseguiu fugir para a cave e esconder-se por detrás de uns caixotes. Nunca chegou a perceber como é que o Alemão que organizou a busca na cave não o viu. A explicação é que talvez o tenha ignorado de propósito: a guerra estava quase a chegar ao fim.

Quando voltei para casa de bicicleta, não pude deixar de pensar quantas casas não esconderão segredos e histórias igualmente interessantes em Utrecht, afinal é uma cidade tão antiga. Para as descobrir é preciso ter a sorte de estar no momento certo, à hora certa. O que nem sempre é fácil. Mas sinto que preciso de conhecer mais a história da cidade em que vivo, não por obrigação, mas porque é simplesmente tão interessante e tão diferente daquilo que conheço. Será um dos objectivos para os próximos tempos.

Até lá, quem tiver interesse pode passar até amanhã no Open Day e visitar estes monumentos.

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3 comentários

  1. Post muito interessante! Fez-me lembrar a visita que fiz à casa de Anne Frank em Amsterdam.

  2. Deve ter sido uma experiência muito marcante, visitar essa casa. Às vezes é pena as paredes não falarem :)

    1. Mesmo…se falassem tinham tanto para contar! :)

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