Apontamentos sobre um casamento Nigeriano na Holanda

Saltos altos, que a cada passo apressado, ressoavam no alcatrão de uma rua semi-deserta. Eu de vestido, ele de fato e gravata como manda a etiqueta Portuguesa. E ninguém à vista em Diemen Zuid. Um sítio estranho para um casamento. Estarímos no sítio certo? Afinal só se viam oficinas, armazéns e descampados desarrumados.

A primeira vez que fui de transportes públicos para um casamento. A primeira vez que senti um ligeiro calafrio de insegurança na Holanda.

Só nos apercebemos que estávamos no sítio certo, quando de um carro saiu um outro convidado do casamento e nos disse que estávamos no local certo mas que tínhamos chegado cedo demais. Faltavam 15 minutos para o meio dia, a hora que o convite pedia aos convidados para lá estarem. Nada denunciava que aquele armazém era uma igreja. Nada diria que naquele armazém poderiam caber mais 200 pessoas confortavelmente sentadas. Estávamos numa das duas Igrejas que servem a comunidade nigeriana na Holanda.

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Apesar das bandeiras Holandesas junto ao altar, ali fala-se inglês e a cultura é outra, igualmente distante da Holandesa, da Portuguesa e dos países de expressão Portuguesa que conhecemos.

A Holanda, como qualquer país, tem tantas camadas de realidade como a diversidade cultural que existe. Nunca ninguém pode afirmar conhecer plenamente um país, porque as chances de entrar com convite em todos os armazéns, que como este por aí existem, são raras e preciosas.

Uma senhora a conduzir a missa, coro gospel com vozes impressionantes, danças a meio da cerimónia e muitos ALELUIAS! e AMENS! exclamados bem alto por toda a audiência, tal como nos filmes.

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Só algumas coisas foram comuns à nossa realidade, entre elas o nervosismo e alegria dos noivos!

Emocionei-me enquanto os noivos saíam da Igreja ao som do canto “Count your blessings, name them one by one, and you’ll see the amazing thing the Lord has done“, mas depois da emoção, apercebi-me que ainda estava em Diemen Zuid e que era melhor não me demorar muito a sair dali!

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2 comentários

  1. Tive num casamento este Sábado! Bem Portugues! Bem tipico! Diferenca importante. Os noivos tiveram textos escolhidos por amigos lidos no casamento… nao os tipicos da biblia… outros…. como por exemplo:

    Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo.

    Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos.

    Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti, existe também à nossa volta quando estamos juntos. E agora estamos sempre juntos.

    Agora, somos uma única rocha, uma única montanha, somos uma gota que cai eternamente do céu, somos um fruto, somos uma casa, um mundo completo. Existem guerras dentro do nosso corpo, existem séculos e dinastias, existe toda uma história que pode ser contada sob múltiplas perspectivas, analisada e narrada em volumes de bibliotecas infinitas.

    Dentro de nós, existe tudo aquilo que existe em simultâneo em todas as partes.

    Sorrry Olivia. But I needed to share this beautiful text from Abraco – Jose Luis Peixoto

    E nao deixo de pensar. Celebrar o amor é mesmo bonito

    1. Epá, que bonito Sara! :D pois é, celebrar o amor é
      bonito ponto final. Seja em que cultura for :D

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