Um passeio de algumas horas por Leiden

Há duas semanas atrás fui conhecer Leiden pela primeira vez. Era sábado e por isso dia de feira. Os canais estavam apinhados de gente nas diferentes bancas, e como o dia estava surpreendentemente solarengo as esplanadas estavam cheias. Estas primeiras impressões fizeram com que ficasse encantada com a cidade.

Dia solarengo em Leiden

Dia solarengo em Leiden

Por piada li na mesma altura o capítulo sobre Leiden, do livro a Holanda do nosso ilustre Ramalho Ortigão, e também ele, há coisa de 100 anos achou a cidade risonha e alegre. Nas suas palavras:

“Nenhuma outra cidade do Mundo poderá com justiça gloriar-se de ter exercido na evolução das ideias e do gosto, durante dois séculos, uma influência igual à que teve Leiden nos séculos XVI e XVII; e basta ao viajante que chega consultar uma carta topográfica e percorrer a cidade, como eu fiz, num breve passeio de algumas horas, para assistir a reaparição integral dos factos, redivivos sobre as pegadas gloriosas que deixou o passado nesse livre solo sagrado, berço da ciência moderna e da arte contemporânea.

E foi exactamente isso que fizemos, munidos de um pequeno mapa, que nos ofereceram ao chegarmos à estação, percorremos os principais pontos da cidade, num passeio de umas horas pela cidade. Começando pela visita ao museu do moinho “De Valk”, seguindo viagem para o centro da cidade onde nos demorámos a petiscar algo. Visitámos o museu dos Peregrinos, o Museu Botânico da Universidade, a fortificação de defesa da cidade e terminámos o dia na praça onde nasceu o grande mestre Rembrandt.

O Museu dedicado a um dos símbolos da Holanda: os Moínhos!

O Museu dedicado a um dos símbolos da Holanda: os Moínhos!

Vista da fortificação da cidade. Fantástico não?

Vista da fortificação da cidade. Fantástico não?

O local onde nasceu Rembrandt

O local onde nasceu Rembrandt

Ficou imenso para ver, incluíndo os vários complexos da famosa Universidade de Leiden.

Leiden é a cidade universitária, a cidade académica por excelência, representando na Holanda o papel que tem Salamanca na Espanha, Bona ou Heidelberga na Alemanha, Coimbra em Portugal.

A universidade de Leiden foi uma escolha sensata da população da cidade, que depois de ter resistido ao famoso cerco, que quase trouxe a morte a todos os habitantes, foi presenteada com uma de duas opções como agradecimento do primeiro Rei da Holanda, Willem van Oranje: a cidade ficar livre de impostos ao comércio ou ser construída uma Universidade.

Já na geração de Ramalho Ortigão, a universidade de Leiden não era tão conceituada como em tempos idos, mas ainda hoje se sente uma aura diferente na cidade, uma aura de conhecimento e de vida estudantil. Apesar da glória de tempos passados se ter desvanecido, nada apaga o facto de ter sido nesta universidade que se formaram algumas das maiores figuras da Holanda e que influenciaram imensamente a história Europeia.

Um dos pontos que mais gostei de conhecer na cidade, foi a meca da peregrinação Americana na Holanda: o museu dos Peregrinos.

Porta de uma das casas mais antigas de Leiden, hoje museu dos Peregrinos

Porta de uma das casas mais antigas de Leiden, hoje museu dos Peregrinos

Um professor universitário, PhD em história dos Peregrinos, montou um museu com duas facetas: a vida protestante e a vida católica, focando na vida dos Peregrinos, um grupo de refugiados religiosos ingleses que chegaram em 1609 a Leiden.

O próprio professor é o guia do museu e apresenta apaixonadamente todos os objectos que estão nestas duas vertentes do museu. De forma muito inteligente, o museu comunica com um antiquário que vale mesmo a pena espreitar e explorar!

O antiquário ocupa um espaço fenomenal

O antiquário ocupa um espaço fenomenal

Havia cerca de 300 peregrinos que viveram em vários lugares em Leiden. Um dos líderes do grupo, John Robinson comprou uma casa com terreno perto da Pieterskerk, na mesma zona onde é hoje o museu. Lá, ele tinha 21 pequenas casas construídas para os seus seguidores. A área ficou conhecida como a Engelse Poort (Porto Inglês).

O bairro dos Peregrinos antes de seguirem para o novo mundo

O bairro dos Peregrinos antes de seguirem para o novo mundo

Os peregrinos temiam que a sua identidade cultural e religiosa se perdesse em Leiden, e assim começaram a deixar Leiden a partir de 1620 tendo como destino o Novo Mundo: a América. Este grupo é hoje reconhecido como os fundadores dos Estados Unidos: os Founding Fathers.

Um grande número de Americanos consegue seguir a sua linhagem até um destes Peregrinos que embarcaram para o Novo Mundo a partir de Leiden. Uma série de presidentes norte-americanos têm Peregrinos como antepassados, incluindo Franklin Roosevelt, Bush pai e filho, e Barack Obama. Os antepassados ​​de Obama viveram aqui neste bairro perto Pieterskerkhof.

Pieterskerkhof: uma Igreja Protestante é realmente muito diferente de uma Católica

Pieterskerkhof: uma Igreja Protestante é realmente muito diferente de uma Católica

Obviamente que é neste bairro que se encontra a maior concentração de Americanos por metro quadrado. Para eles é a verdadeira viagem às origens na Europa.

Mas como disse, ficou imenso para conhecer em Leiden, tal como ficou aqui imenso para falar.

Os canais de Leiden

Os canais de Leiden

Terá que ser para um próximo passeio e para um próximo post! Até lá, partilhem as vossas sugestões em Leiden!

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3 comentários

  1. Vês porque ela é, de todas as cidades holandesas, a cidade do meu coração?
    Tenho para aqui tanta, tanta coisa sobre Leiden e ando quase há um ano para fazer um (ou mais posts) sobre a cidade mas nem sei por onde começar.
    Parece que quanto mais gostamos de uma coisa, mais dificil nos é escrever (ou pelo menos começar) sobre ela.
    Havemos de combinar uma ida conjunta a Leiden para comermos um kibbeling, boa?

    1. Também gostei muito da cidade! Sim boa boa, vamos a isso :)

  2. Salvador Soutinho Verde · · Responder

    Leiden é uma pequena Amsterdam. Trata se na verdade de uma bela cidade com os seus canais o seu rico património e uma atmosfera especial, Aqui nasceu Rembrandt e viveu Einstein que lecionou na Universidade de Leiden. A casa onde viveu é hoje um café junto a um canal.

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