As 3 coisas que aprendi sobre como procurar trabalho na Holanda

Este post foi escrito esta semana para o blog Portugueses na Holanda, onde podem encontrar, para além de informação muito útil sobre viver no estrangeiro, outros testemunhos de Portugueses cá a viver na rubrica o Olhar Português na Holanda!

Apesar de nunca ter falado sobre trabalho aqui no blog (apenas um bocadinho aqui) por detrás dos primeiros posts que escrevi estava sempre esta questão sob pano de fundo: Como vou fazer para arranjar um trabalho que me encha as medidas aqui na Holanda? Isto é, algo que faça sentido na minha anterior experiência profissional e que seja aliciante. Será que consigo mesmo? Será que sou capaz?

Vim para cá sem nada definido, para me juntar ao meu companheiro que estava cá há um ano a trabalhar. Apesar de agora poder olhar para trás e relaxar por ter conseguido o tal trabalho que queria, os momentos de dúvida sobre a melhor forma de atingir este objectivo deixavam-me muitas vezes sem ânimo nem ideia sobre como continuar a minha procura.

Na esperança que aquilo que aprendi possa ajudar ou fazer sentido para alguém decidi escrever as lições que aprendi a procurar trabalho na Holanda. Como digo no texto, por favor não encarem isto como uma verdade matemática: procurar trabalho difere muitíssimo de sector para sector e da experiência individual de cada um. Mesmo assim, aqui fica a minha experiência de procurar trabalho cá, com os meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que me acompanharam e me deram força durante este processo!

 

As 3 coisas que aprendi sobre como procurar trabalho na Holanda

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Cheguei a Utrecht na Holanda em Janeiro de 2013. Para ser mais precisa dia 31 de Dezembro de 2012. Queria utilizar a força do simbolismo da frase feita “Ano Novo, Vida Nova” para me ajudar nos desafios que aí vinham. A razão da minha vinda para a Holanda é a mesma de  muitos – o meu companheiro foi convidado para cá trabalhar e uma decisão tinha que ser tomada. E foi bastante arriscada e díficil: despedi-me do meu trabalho em Portugal e vim para a Holanda procurar do zero. Obviamente que tinha o apoio incondicional dele, da minha família e dos meus ex-empregadores, e se assim não fosse esta experiência teria sido agonizante.

Como licenciada em Gestão com experiência de 6 anos em Consultoria as minhas expectativas sobre a receptividade do meu CV eram bastante realistas. Esperava no mínimo um período de 6 meses de procura intensa de trabalho antes de conseguir algo que me enchesse as medidas e fizesse sentido face à minha experiência profissional anterior. Na verdade foi isso que aconteceu, hoje estou felizmente a trabalhar em algo que gosto bastante. Mas o processo até chegar a este objectivo foi totalmente diferente, e bem mais díficil, do que estava à espera.

As minhas expectativas eram que ia demorar bastante tempo até encontrar um trabalho, mas nos entretantos, teria oportunidade de ir a várias entrevistas  e ficar a conhecer o mercado. Nada mais errado. Fiz tudo o que as boas práticas diziam sobre candidaturas online e tornei a pesquisa de trabalho o meu trabalho a tempo inteiro. Passei no mínimo 5 horas diárias em frente ao computador à procura de trabalho nos sítios mais usuais (linkedin, monsterboard, icote, etc, etc, etc, etc) e a pesquisar por empresas na minha área. Estudava as empresas antes de enviar o CV, personalizava o CV e a carta de apresentação e só enviava a minha candidatura para anúncios em inglês e em que tinha pelo menos 70% da experiência pedida para aumentar as chances de sucesso.

Passadas as primeiras semanas de silêncio, começaram a chegar por email os primeiros Nãos: “Muito obrigado por ter enviado a candidatura, neste caso há mais marinheiros do que marés”. Depois, a segunda vaga de Nãos, depois a terceira…Sem qualquer convite para sequer uma entrevista, até que percebi que a minha abordagem tinha que mudar radicalmente.

O que me leva às 3 coisas que aprendi sobre como procurar trabalho na Holanda:

  1. Apostar no networking – na minha opinião é algo extremamente complicado de implementar mas que não se deve descurar quando se procura trabalho noutro país. Deve ser feito em paralelo com o envio de candidaturas, com mais benefícios a longo prazo do que candidaturas online. Enquanto procuramos trabalho, e mesmo depois o encontrarmos, aprendi que devemos construir uma rede de contactos. No meu caso, deveria ter começado logo em Portugal a fazê-lo e não o fiz. Foi a maior lição aprendida. Mas logo que percebi que construir uma rede de contactos era fundamental, tentei começar da forma mais acessível – conhecer e falar com amigos de amigos que estavam ou tenham estado na Holanda, perguntar-lhes como é o mercado, como são as empresas em que trabalham, etc, etc. Para esclarecer este ponto: não se trata de pedir trabalho, mas sim tentar recolher o máximo de informação sobre sectores e oportunidades e dar-nos a conhecer. Através da rede de contactos que fui construindo tive acesso a oportunidades que me foram dando algum alento e motivação.
  2. Ser proactivo– Procurar trabalho aqui na Holanda é uma experiência que constrói carácter. Temos de sair da nossa zona de conforto e ser mais proactivos. Ligar para empresas a perguntar se os podemos conhecer, explicar porque achamos que podemos ser uma boa aquisição para a empresa é bastante respeitado e comum. Aproveitar uma resposta negativa, onde tenham dito que gostam do nosso CV, para perceber se haverão de futuro outras oportunidades, é também outro forma.
  3. Não subestimar a barreira da língua – apesar da grande maioria dos Holandeses falar muito bem Inglês, existe uma grande fatia do tecido empresarial cujo dia-a-dia é dedicado exclusivamente a clientes Holandeses. Podem colocar o anúncio de trabalho em Inglês, mas para certo tipo de funções, por muito que gostem da experiência de um candidato internacional, se ele não falar Holandês está automaticamente excluído. Por isso, o Holandês é mesmo necessário para uma grande fatia de oportunidades de trabalho. Uma boa forma de ultrapassar esta barreira é começar a aprender a língua assim que possível, embora seja preciso aceitar que vai levar alguns anos até termos um nível suficiente de Holandês. É por isso preciso identificar empresas que trabalhem com clientes internacionais. E neste último ponto o nosso Português é uma alavanca fenomenal!

Obviamente que estas aprendizagens são muito pessoais e variam de sector para sector, e também estão relacionadas com o momento económico de contenção que a Holanda também atravessa. Não as leiam como uma verdade absoluta, mas sim como uma experiência pessoal.

Nos entretantos deste processo,  criei o blog Espresso and Stroopwafel para registar o dia-a-dia e partilhá-lo com todos aqueles que tivessem interesse nesta experiência e para me ajudar a distrair da ansiedade da procura de trabalho. Por isso não falo muito sobre trabalho lá, mas podem encontrar a minha visão da Holanda enquanto Portuguesa e tudo aquilo que me surpreende aqui neste país das terras baixas. Fica aqui o meu convite a passarem por lá!

Há mais no facebook: https://www.facebook.com/EspressoAndStroopwafel

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4 comentários

  1. Ser proactivo foi o que acabou por dar trabalho ao meu namorado… Mesmo que não estejam a pedir mandar CVs, em muitos nãos podemos ouvir um sim :D

  2. Acabei de descobrir o teu blog e estou a adorar, estou neste momento a viver em Rotterdam por isso identifico-me bastante com aquilo que escreves :) Eu só gostava de saber se sabes algumas empresas (pode ser na área de Utrecht e afins) que trabalhem com clientes internacionais.. Gostava mesmo de obter um cargo como recepcionista mas não sei por onde começar, visto que ainda estou no nível B2 do Holandês :/ dicas? Obrigado :)

    1. Oi Carina! Vou tentar encontrar alguma fonte de empresas internacionais que te possa ajudar com algumas referencias. Eu tambem acabei por encontrar trabalho numa empresa 100% internacional, mas nunca tinha ouvido falar dela!

      1. Agradecida :) tenho procurado empresas grandes na Holanda mas não sei por onde começar..

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