Sobre perder: um relato vencedor sobre o Jogo do Benfica

Dizem que o mundo dos negócios é duro, competitivo e feroz. Não posso deixar de concordar, mas ontem no jogo da final da Liga Europa Benfica-Chelsea, junto à bancada azul xadrez do Chelsea, com os nervos em franja, à beira de um ataque cardíaco e com o estômago revoltado, não pude deixar de pensar que o futebol de alta competição consegue mostrar provas de ser mais duro do que o mundo de negócios.

Nos negócios também se compete ferozmente: uns ganham mercado enquanto outros perdem. No entanto, a perda é relativa e há sempre forma de reinvenção a partir de uma perda. Se não somos tão competitivos numa determinada faceta, podemos apostar noutra, criar novos mercados onde podemos vencer. No fundo as empresas podem inovar: se uma empresa não está a jogar bem um determinado jogo, em última análise pode inventar o seu próprio jogo.

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Depois há a questão da cooperação: todas as empresas estão no mercado para criar situações de “win-win” com os seus clientes e parceiros. Os bons negócios e negociações são aqueles em que toda a gente ganha de forma equilibrada, e, onde não onde há um vencedor e uma multidão de derrotados.

É um exercício de equilíbrio sustentado: não é o mata-mata, não há a figura do campeão e do perdedor, não há o tudo ou nada do futebol.

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Ora ontem, naquele impressionante estádio do Ajax em BijlmerArena em Amsterdam, alguém tinha que sair derrotado. Acabou por ser o Benfica. Perdeu a taça, perdeu o título. Mas afinal o que significa esta derrota? A equipa jogou bem, representou o clube e o país numa competição europeia, mostrou garra e vontade de vencer, a massa de fãs acreditava e apoiava o seu clube e fez tremer o estádio mais do que uma vez. Havia orgulho e havia festa. É este o significado de uma derrota?

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E o significado de campeão? O vencedor não parecia assim tão motivado, não mostrou assim tanta garra para ganhar e muitas vezes os seus fãs gritavam impropérios contra o seu treinador. Mas são os campeões deste ano da Liga Europa e isso é um facto inegável. Bom, para mim é apenas uma fatalidade, pois na realidade alguém tinha que ganhar e alguém tinha que perder. São estas as regras do jogo, são duras, inflexíveis e são o que são.

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Quando sai do estádio não nego que levei uma pancada, não nego que sai irritada com este perder. E não nego que estava irritada com o facto de deixar que o futebol tenha o poder de me irritar.

Hoje no rescaldo do acontecimento, já não vejo nada do que se passou ontem como uma derrota. Foi uma festa, foi um encontro, foi emoção: foi futebol. É o que é. Duro às vezes, mas temos que saber tirar dele as grandes alegrias. Foi excelente ter tido a oportunidade de ver este momento ao vivo e a cores, e numa nota mais pessoal, foi um momento lindo de Portugal na Holanda! Não me senti fora de casa, não me senti em Amsterdam, senti-me ali nas Laranjeiras a parar para uma bifana, antes de ir até ao estádio.

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4 comentários

  1. Luís Santos · · Responder

    Excelente relato. Gostei especialmente da parte do prolongamento…”…. Não me senti fora de casa, não me senti em Amsterdam, senti-me ali nas Laranjeiras a parar para uma bifana, antes de ir até ao estádio.”. Só por isto, já valeu a pena o teu clube ir à final :)

  2. Excelente relato de uma benfiquista a sério, assim fossem todos os benfiquistas, também gostei muito da escrita dela, bem hajas, aceita os parabéns deste portista.

  3. goncalo marques · · Responder

    Lindo artigo :-) tens mesmo jeito, parece um artigo de um jornalista a serio (dos com qualidade).
    Por favor, continua a espalhar a tua magi
    . ;-)

    1. Muito obrigada! Fico muito contente que tenham gostado do post! Continuem a acompanhar ;)

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